O CONTO “TRÁGICO” E OS PRIMÓRDIOS DA PULP FICTION BRASILEIRA

O CASO DA REVISTA PRIMEIRA (1927-1929)

Auteurs

  • Júlio França Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Oscar Nestarez Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie
  • Daniel Augusto Pereira Silva Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Mots-clés :

Literatura brasileira, Conto, Revistas

Résumé

Neste artigo, temos como objetivo avaliar a presença da pulp fiction nas letras brasileiras de meados do século XX. Partimos da hipótese de que a Revista Primeira (1927-1928) reúne características fundamentais desse tipo de literatura, que ficam patentes na publicação daquilo que seus editores intitulavam de “contos trágicos”. Nas primeiras seções do trabalho, examinamos as relações históricas entre as pulp magazines, as narrativas de sensação e as poéticas negativas. Em seguida, apresentamos o projeto literário da Primeira e investigamos de que modo essas tradições artísticas são exploradas em suas páginas. Para tanto, indicamos um quadro com 77 narrativas brasileiras que integram o corpus da presente pesquisa. Por fim, analisamos três desses “contos trágicos” veiculados pelo periódico: “A maldição do amor” (1928), de Manuel M. Gralha; “O espectro” (1927), de Medeiros e Albuquerque; e “Alma de hiena” (1928), de Fidelis Vasconcelos Filho. Em nossa conclusão, apontamos que a Primeira constituiu um depositório de narrativas pulp, num período no qual considerava-se a inexistência dessa vertente no Brasil.

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Bibliographies de l'auteur

Júlio França, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Júlio França é professor associado de Teoria da Literatura do Instituto de Letras e do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tem doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (2006), com pós-doutorado na Brown University (2014-2015) e na USP (2025). Bolsista de produtividade do CNPq e do programa Prociência (UERJ/FAPERJ), entre seus últimos livros publicados estão ''Poéticas do Mal: a literatura do medo no Brasil (2022); ''As Artes do Mal: textos seminais'' (2024) e ''Tênebra 2; narrativas brasileiras de horror'' (2025);. É coordenador do grupo de pesquisa Estudos do Gótico (CNPq) e co-editor do periódico acadêmico Abusões, dedicado exclusivamente às poéticas negativas e afins. E-mail: julfranca@gmail.com / Website: https://juliofranca.academia.edu

Oscar Nestarez, Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Ficcionista, tradutor, Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP e Doutor em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela FFLCH-USP, possui certificado de especialização em História da Arte pela FAAP (2011). Entre 2023 e 2024, realizou um pós-doutorado Universidad de Alcalá de Henares (Espanha), sob a supervisão de David Roas e Teresa López-Pellisa. Atualmente, cursa pós-doutorado (PIPD-CAPES) na Universidade Presbiteriana Mackenzie, sob a supervisão de Ana Trevisan. É membro do Grupo de Estudos do Gótico - CNPq, do Grupo de Pesquisa O Insólito Ficcional na Literatura Contemporânea e também do Grupo de Pesquisa Produções literárias e culturais para crianças e jovens II - CNPq. Leciona na pós-graduação lato sensu de Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de ministrar cursos livres e de curta duração, palestras, conferências, workshops e oficinas de narrativas literárias, tendo como objeto o fantástico e suas vertentes, destacando-se a ficção literária de horror. Como contista, lançou, em 2016, a coletânea ''Horror Adentro'' (Kazuá). Como romancista, publicou ''Bile Negra'' em 2018 (editora Pyro), que recebeu o Prêmio Aberst - Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror - de melhor romance de horror no mesmo ano - e o livro recebeu uma nova edição em 2023, pela editora Avec. Em 2021, publicou a novela ''Claroscuro'' pela editora Draco, que recebeu o prêmio Odisséia de Literatura Fantástica de melhor narrativa longa de horror. E, em 2022, publicou uma nova coletânea de histórias curtas, ''O Breu Povoado'', pela editora Avec. Já como pesquisador, assinou inúmeros paratextos para publicações de horror e gêneros correlatos. Organizou, ao lado de Júlio França, os dois volumes da antologia ''Tênebra - Narrativas brasileiras de horror'', pela editora Fósforo. Também organizou a antologia ''Mundos Paralelos: Horror'', pela editora Globo Livros, orientada para o público jovem. E como tradudor, verteu diversas e importantes obras para o português, como ''O Castelo de Otranto'', de Horace Walpole (ed. Novo Século), ''O monge'', de Matthew Gregory Lewis (Sebo Clepsidra) e ''A casa no fim de tudo'' (ed. Novo Século), de William Hope Hodgson. Também é colunista da revista Galileu, para a qual escreve sobre literatura de horror. 

Daniel Augusto Pereira Silva, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Daniel Augusto Pereira Silva é professor adjunto de língua e literatura francesa do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É doutor e mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada também pela UERJ. Possui bacharelado e licenciatura em Letras (Português/Francês) pela mesma instituição, onde realizou, ainda, uma especialização em Tradução em Língua Francesa. É integrante do Grupo de Pesquisa O Grande Século XIX (CNPq), do Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico (CNPq) e do Grupo de Pesquisa Nós do Insólito: vertentes da ficção, da teoria e da crítica (CNPq). Seus interesses de pesquisa são a literatura fin-de-siècle na França e no Brasil; a tradução da literatura francesa; a recepção a autores franceses no Brasil; o grotesco literário; e as poéticas do mal. Atua também como tradutor literário do francês para o português.

Références

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Publiée

2026-08-21