PARQUE DAS RUÍNAS:
EM DEFESA DE UMA POÉTICA DO ARQUIVO EM MARÍLIA GARCIA
Keywords:
Marília Garcia, Literatura contemporânea, Imagem, ArquivoAbstract
This paper aims to offer a reading of Parque das Ruínas, by Marília Garcia, considering a tendency toward indeterminacy in certain strands of contemporary literature. This tendency manifests primarily in challenges to categorization and in the convergence of literary works with modes, forms, and techniques from other artistic fields — especially through the incorporation of photographic imagery and the approach to an essayistic mode of writing. To support this perspective, the study draws parallels with other contemporary women writers, such as Ieda Magri and Aline Motta, who, like Garcia, engage in a practice that intertwines image and text, using photographic records and archival work as tools for memory and narrative construction, and as foundations for literary creation. Through a close reading of Garcia’s book, the study identifies the development of a literary project that questions the limits and possibilities of poetry — not only as a space for poetic expression but also as a means of critical and reflective thought. This is especially evident in the poet’s effort to reveal the medium itself, which can be understood as the book’s own compositional process, and in the foregrounding of an epistemological and investigative approach.
Downloads
References
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGAMBEN, G. “O que é o contemporâneo”. In: O que é o contemporâneo (e outros ensaios). Tradução: Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009, p. 55-73.
AUSTER, P. Auggie Wren’s Christmas Story. London: Faber & Faber, 2009.
COETZEE, J. M. A vida dos animais. Tradução: José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
FREUD, S. “Le Moïse de Michel-Ange”. In: Essais de psychanalyse appliquée. Trad. Marie Bonaparte et E. Marty. Paris: Gallimard, 1933, p. 23-24.
FRIAS, J. “Apesar das ruínas, testar a memória”. In: GARCIA, Marília. Parque das Ruínas. São Paulo: Luna Parque, 2018, p. 89-94.
FUX, J. “A matemática de Calvino, Roubaud, Borges e Perec”. In: Revista de Letras, São Paulo, v.50, n. 2, p. 285-306, jul./dez. 2010.
GARCIA, M. Câmera lenta. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
______. Paris não tem centro. 2. ed. Rio de Janeiro: 7Letras, 2016.
______. Parque das ruínas. São Paulo: Luna Parque, 2018.
GARRAMUÑO, F. “La literatura en un campo expansivo: y la indisciplina del comparatismo”. Caderno de estudos culturais, v. 2, n. 1, p. 101-111, 2009.
______. Frutos estranhos: sobre a inespecificidade na estética contemporânea. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.
GONÇALVES, E. “Do processo como criação (notas sobre parque das ruínas, de Marília Garcia)”. In: Revista Intersemiose, n. 12/13, p. 14-39, 2020.
HOCQUARD, E. Esta história é a minha – minidicionário autobiográfico da elegia [e outros textos]. Tradução: Marília Garcia. São Paulo: Luna Parque, 2024.
KLUMB, F. “O poema na lente do documentário”. In: Literatura em movimento: pesquisa e investigação [livro eletrônico]: volume 9. Organizador: Vitor Alevato do Amaral. Uberlândia, MG: Editora Pangeia, 2022.
KRAUSS, R. “A escultura no campo ampliado”. Gávea, Rio de Janeiro, n. 1, p. 87-93, 1984.
MAGRI, I. Da dificuldade de nomear a produção do presente. Rio de Janeiro: 7Letras, 2023.
______. "O livro trata dos limites entre verdade e imaginação". Estado de Minas, Belo Horizonte, 30 set. 2022. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/09/30/interna_pensar,1399555/ieda-magri-o-livro-trata-dos-limites-entre-verdade-e-imaginacao.shtml. Acesso em: 10 mar. 2025.
______. Uma exposição. Belo Horizonte: Relicário, 2021.
MALCOLM, J. Imagens imóveis. Tradução: Paulo Henriques Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.
MARGEL, S. Arqueologias do fantasma [técnica, cinema, etnográfia, arquivo]. Tradução: Maurício Chamarelli, Anne Dias. Belo Horizonte: Relicário Edições, 2017.
MOTTA, A. "A água é uma máquina do tempo". In: Revista eLyra, n.18, dez. 2021, p. 333-337.
______. A água é uma máquina do tempo. São Paulo: Círculo de Poemas, 2022.
PEREC, G. Lo infraordinário. Tradução: Jorge Fondebrider. Buenos Aires: Eterna Cadencia Editora, 2013.
REIS, U. “Escrever com uma tesoura nas mãos: políticas da escrita em Marília Garcia” Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira e Teoria da Literatura) – Instituto de Letras, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2024.
VIDAL, P. Orelha. In: MAGRI, Ieda. Uma exposição. Belo Horizonte: Relicário, 2021.
REFERÊNCIAS AUDIOVISUAIS
DIÁRIO 1973-1983. Direção: David Perlov. Brasil: Bretz Filmes, 1983. 1 DVD (330 min), color.
SMOKE. Direção: Wayne Wang. Estados Unidos: Miramax, 1995. 1 DVD (112 min), color.