O CORPO EM MULHER AO MAR BRASIL, DE MARGARIDA VALE DE GATO
Resumo
Neste estudo, investigo como o corpo é trabalhado enquanto espaço de escrita, herança e resistência na poesia de Margarida Vale de Gato, especialmente no livro Mulher ao Mar Brasil (2021). Entendido como herança simbólica, histórica e material, o corpo feminino é reinscrito pela autora em sua dimensão múltipla, crítica e poética. A poética de Gato tensiona convenções de gênero e linguagem ao reconfigurar simbolismos patriarcais, inscrevendo-se em uma linhagem de escritoras portuguesas como Natália Correia, Maria Teresa Horta, Luiza Neto Jorge e Ana Luísa Amaral. A partir da noção de herança como gesto ativo, proposta por Jacques Derrida, buscamos compreender a escrita de Gato como um exercício de filiação crítica: a poeta escolhe, acolhe e transforma o passado que evoca. Para isso, examinamos os modos como a materialidade da escrita se entrelaça à materialidade corporal, mobilizando leituras como a de Donna Haraway, Silvia Federici, Hélène Cixous, Octavio Paz, Roland Barthes, que nos auxiliam a explorar os atravessamentos entre corpo, linguagem, erotismo e tradição.
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Referências
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