CONSTRUÇÕES COM VERBOS LEVES NO PB E EM OUTRAS LÍNGUAS NATURAIS:
PONTOS DE CONVERGÊNCIAS E DISSONÂNCIAS
Resumo
Neste trabalho, discutimos a formação de construções com verbos leves em diferentes línguas naturais, considerando, entre outros aspectos, a capacidade de seleção argumental e a atribuição de papéis temáticos, bem como as restrições de combinação impostas pelos elementos que as constituem, a fim de compreender, primeiramente, os pontos que aproximam e distanciam essas sentenças em variadas línguas para, posteriormente, verificar o que acontece nesse tipo de sentença com os verbos dar e fazer no português brasileiro. Para tanto, realizamos uma revisita a estudos, principalmente de base gerativista (Grimshaw; Mester, 1988; Samek-Lodovici, 2003; Scher, 2004; Duarte et al., 2010 etc.) que tratam da temática, e da análise de dados escritos que compõem o corpus construído por Alves (2022). Os resultados revelaram que o nome dessas construções, com o qual o verbo leve se associa, é o principal elemento nuclear, responsável pela seleção semântica e sintática dos argumentos externo e mais interno, o PP. Já o verbo leve tem papel fundamental na projeção da posição a ser ocupada pelo argumento externo, pois o elemento nominal não dispõe dessa capacidade (Alexiadou, 2001). Esse, inclusive, foi o principal ponto de dissonância entre os estudos investigados e a proposta defendida. Ademais, as restrições de combinação entre verbo e nome ocorrem devido ao conjunto de traços que definem esses dois elementos. Este estudo justifica-se à medida que busca suscitar reflexões quanto às propriedades predicacionais dos itens constitutivos dessas sentenças.
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