CAMINHOS FLORIDOS: A FOTOGRAFIA COMO MEDIADORA DA VISIBILIDADE BOTÂNICA ENTRE ESTUDANTES DO SERTÃO BAIANO
Abstract
Este artigo apresenta uma experiência pedagógica com estudantes do Ensino Médio/Técnico em Meio Ambiente, em uma escola estadual do sertão baiano, com o objetivo de promover a visibilidade botânica por meio da fotografia. A partir do conceito de invisibilidade botânica, revisto como expressão das ausências no ensino das ciências, o trabalho articula saberes científicos, estéticos e ancestrais para despertar uma relação mais sensível e afetiva com os vegetais do entorno. Amparada pela metodologia do relato de experiência, a proposta envolveu quatro aulas em que os estudantes foram convidados a observar, fotografar e discutir elementos da flora local, utilizando o celular como ferramenta de mediação entre o olhar e a natureza. As imagens produzidas revelaram não apenas os vegetais, mas também as singularidades dos sujeitos que os registraram, em um exercício de presença e pertencimento. Inspirado nas epistemologias de Nêgo Bispo, Ailton Krenak e Vandana Shiva, o trabalho defende o envolvimento com o território como forma de resistência à homogeneização do pensamento e celebra a diversidade como caminho para um ensino de Biologia mais fértil, afetivo e enraizado. A fotografia, nesse contexto, torna-se linguagem que reencanta, colore o cotidiano e visibiliza o que foi silenciado.
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