Conhecimento etnobotânico e relevância medicinal de Lippia alba em comunidades locais de Cruz das Almas
Palavras-chave:
Etnociência, Erva-cidreira, Conservação de espécies medicinaisResumo
Resumo: A investigação etnobotânica e etnofarmacológica é fundamental para identificar usos e indicações terapêuticas de plantas. Este estudo analisou o conhecimento tradicional e o uso de Lippia alba (Mill.) N. E. Br. ex Britton & P. Wilson no município de Cruz das Almas, Bahia. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 23 informantes, e os dados tratados por meio de medidas quantitativas. No total, registraram-se 77 espécies distribuídas em 43 famílias, destacando-se Asteraceae e Lamiaceae pela maior diversidade e equitabilidade. Os capítulos da CID-11 mais representativos foram “13 -Doenças do aparelho digestivo” e “12 - Doenças do aparelho respiratório”. Lippia alba e Plectranthus ornatus apresentaram os maiores valores de concordância de uso principal, enquanto Bidens pilosa L., Plectranthus amboinicus (Lour.) Spr., Aloe vera (L.) Burm. f. e Lippia alba se destacaram pela versatilidade terapêutica. Lippia alba foi mencionada por 100% dos informantes, com maior valor de importância e consenso, sobretudo como calmante, associada ao capítulo “6 - Transtornos mentais e comportamentais ou do neurodesenvolvimento”. Conclui-se que, nas comunidades estudadas, Lippia alba é amplamente reconhecida e apresenta elevada relevância terapêutica. Ressalta-se o caráter exploratório do estudo, sendo necessária ampliação da amostra para avaliar a representatividade dos resultados em nível municipal.
Palavras chave: Etnociência, Erva-cidreira, Conservação de espécies medicinais
Downloads
Referências
Agostinho, J. D. L., et al. (2025). Chemical diversity of the herbal decoction of Plectranthus ornatus and its anti-nociceptive and anti-inflammatory activities in zebrafish models. Journal of Ethnopharmacology, 340, 119235. https://doi.org/10.1016/j.jep.2024.119235
Amorozo, M. C. M. & Gély, A. (1988). Uso de plantas medicinais por caboclos do Baixo Amazonas, Barcarena, PA, Brasil. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi (Série Botânica, 4, 47-131).
Andrade, J. M., et al. (2018). Anti-mycobacterial activity of labdane and halimane diterpenes obtained from Plectranthus ornatus Codd. Biomedical and Biopharmaceutical Research, 15 (1), 103-112. DOI: 10.19277/bbr.15.1.179
Argenta, S. C., et al. (2011). Plantas medicinais: cultura popular versus ciência. Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI, 7(12), 51-60. Recuperado de: https://www.ufpb.br/nephf/contents/documentos/artigos/fitoterapia/plantas-medicinais-cultural-popular-versus-ciencia.pdf.
Bardin, L. (1988). Análise de conteúdo. Lisboa. (Edições 70, 229p). Recuperado de: https://ia802902.us.archive.org/8/items/bardin-laurence-analise-de-conteudo/bardin-laurence-analise-de-conteudo.pdf
Bennett, B. C. & Prance, G. (2000). Introduced plants in the indigenous pharmacopoeia of Northern South America. Economic Botany, 54 (1), 90-102. Recuperado de: https://link.springer.com/article/10.1007/BF02866603#preview
Borges, A. S., et al. (2022). Effect of Lippia alba (Mill.) N.E. Brown essential oil on the human umbilical artery. Plants, 11(21). DOI: https://doi.org/10.3390/plants11213002
Byg, A. & Balslev, H. (2001). Diversity and use of palms in Zahamena, eastern Madagascar. Biodiversity and Conservation, 10, 951-970. Recuperado de: https://link.springer.com/article/10.1023/A:1016640713643
Cantelli D., et al. (2024). Tracing gender variation in traditional knowledge: participatory tools to promote conservation in a Quilombola community in Brazil. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, 20 (89), 1-14. Doi: https://doi.org/10.1186/s13002-024-00729-1
Carvalho, A. S. et al. (2023a). Atividade antifúngica do óleo essencial de Lippia alba em Aspergillus welwitschiae. Magistra, 33. Recuperado de: https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/magistra/article/view/4436
Carvalho, A. S. et al. (2023b). Genetic diversity of accessions of Lippia alba cultivated in Cruz das Almas, Bahia. Magistra, 33. Recuperado de: https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/magistra/article/view/4430/2263
Cherobin, F., et al. (2022). Plantas medicinais e politícas públicas de saúde: novos olhares sobre antigas práticas. Physis: revista de saúde coletiva, 32 (3), 1-17. Doi: https://doi.org/10.1590/S0103-73312022320306
Cordeiro, M. F., et al. (2022). Phytochemical characterization and biological activities of Plectranthus barbatus Andrews. Brazilian Journal of Biology, 82, e236297. DOI: https://doi.org/10.1590/1519-6984.236297
Ferreira, E. C., et al. (2021). Local knowledge and use of medicinal plants in a rural community in the Agreste of Paraíba, Northeast Brazil. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, 9944357, 1-16. DOI: https://doi.org/10.1155/2021/9944357
Froz, M. J. L., et al. (2024). Lippia alba essential oil: A powerful and valuable antinociceptive and anti-inflammatory medicinal plant from Brazil. Journal of Ethnopharmacology, 333. DOI:
https://doi.org/10.1016/j.jep.2024.118459
Gomes, C. S. R., et al. (2024). Gender influence on local botanical knowledge about medicinal plants: a study in Northeast Brazil. Ethnobotany Research and Applications, 28. Doi: http://dx.doi.org/10.32859/era.28.45.1-8
Gomides, N. A. M., et al. (2022). Ethnobotanical and ethnopharmacological survey of medicinal species utilized in the Coqueiros Community, Brazil. Boletin Latinoamericano y del Caribe de Plantas Medicinais y Aromáticas, 21 (6), 671-715.
Doi: https://doi.org/10.37360/blacpma.22.21.6.42
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2023). Cidades. Brasil, Bahia, Cruz das Almas.. Recuperado de: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ba/cruz-das-almas/panorama
Jeddi, S., et al. (2024). Ethnobotanical appraisal of indigenous medicinal plants used in the Taounate region (Northern Morocco): qualitative and quantitative approaches. Ethnobotany Research and Applications, 28, 1–26. Doi: http://dx.doi.org/10.32859/era.28.34.1-26
Lorenzi, H. (2006). Manual de identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional. (6 ed., 339p). Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum.
Lorenzi, H. (2008). Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas e tóxicas. (4 ed., 640p). Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum.
Lorenzi, H. & Matos, F. J. A. (2008). Plantas medicinais no Brasil. (2 ed., 544p). Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum.
Oliveira, D. P. et al. (2024). Potencial terapêutico da Lippia alba (Mill.) N. E. Br. ex Britton & P. Wilson. Research, Society and Development, 13 (1). DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v13i1.44732
Pasa, M. C., et al. (2019). Medicinal plants in cultures of Afro-descendant communities in Brazil, Europe and Africa. Acta Botanica Brasílica, 33 (2), 340-349. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-33062019abb0163
Rocha, L. P. B., et al. (2021). Use of medicinal plants: History and relevance. Research, Society and Development, 10 (10). DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i10.18282
Rodrigues, E. S., Brito, N. M. & Oliveira, V. J. S. (2021). Estudo etnobotânico de plantas medicinais utilizadas por alguns moradores de três comunidades rurais do município de Cabaceiras do Paraguaçu/Bahia. Biodiversidade Brasileira, 11 (1). DOI: https://doi.org/10.37002/biobrasil.v11i1.1645
Rossi, P. H. S., et al. (2021). Biodiversidade das plantas medicinais: benefícios e riscos. Pubsaúde, 5. DOI: https://dx.doi.org/10.31533/pubsaude5.a139
Santos, G. A. (2023). Plantas medicinais e seus compostos bioativos: uma perspectiva etnobotânica e etnofarmacológica com ênfase em plantas medicinais e alimentícias não convencionais (PANCS). Revista FAG Saúde, 2 (2), 21-25. DOI: https://dx.doi.org/10.5281/zenodo.11130266
The SAS Institute published a technical report. (2013). SAS/STAT software: changes and enhancement. Cary NC: SAS Institute.
Shiling, B. B. R., et al. (2024). Plantas medicinais cultivadas em quintais urbanos no município de Benjamin Constant – AM. In: Quintais agroflorestais do Alto Solimões: Os terreiros da agrobiodiversidade na fronteira amazônica Brasil-Peru-Colômbia (Capítulo 8). Atena Editora. Recuperado de: https://atenaeditora.com.br/index.php/catalogo/post/plantas-medicinais-cultivadas-em-quintais-urbanos-no-municipio-de-benjamin-constant-am
Silva, P. I. C., et al. (2025). Unraveling the Neuropharmacological Properties of Lippia alba: A Scientometric Approach. Pharmaceuticals, 18 (3), 420. DOI: https:// doi.org/10.3390/ph18030420
Sitarek, P., et al. (2022). Anticancer Properties of Plectranthus ornatus-Derived Phytochemicals Inducing Apoptosis via Mitochondrial Pathway. International Journal Molecular Sciences, 23 (19). DOI: https://doi.org/10.3390/ijms231911653
Silva, P. I. C., et al. (2025). Unraveling the neuropharmacological properties of Lippia alba: a scientometric approach. Pharmaceuticals, 18 (3). DOI: https://doi.org/10.3390/ph18030420
Sulaiman, N. (2025). Botanical Ethnoknowledge Index: a new quantitative assessment method for cross-cultural analysis. Journal of Ethnobioogyl and Ethnomedicine, 21, 1-7. DOI: https://doi.org/10.1186/s13002-025-00772-6
Thakur, A., et al. (2024). Quantitative ethnobotanical study of medicinal plants used by native people of selected areas of Chhota Bhangal, Himachal Pradesh. Ethnobotany Research and Applications, 28, 1-34. DOI: http://dx.doi.org/10.32859/era.28.46.1-29
World Health Organization. (2025). ICD-11: International Classification of Diseases for Mortality and Morbidity Statistics (11th Revision). Organização Mundial da Saúde. Recuperado de: https://icd.who.int/browse/2025-01/mms/en
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Categorias
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.


