Do um‑em‑muitos aos fluxos contínuos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i1.5595

Palavras-chave:

Universais; Particulares; Ontologia analítica; Tropos; Ontologia de processo.

Resumo

Este artigo propõe uma reinterpretação do clássico problema dos universais a partir da ontologia de processos formulada por Johanna Seibt. Inicialmente, examinamos instâncias de abordagens tradicionais realista e nominalista ao problema, seguido das dificuldades inerentes a ambas. Em seguida, analisamos a teoria dos tropos, particularmente na versão de Keith Campbell, como uma tentativa de mediação entre essas posições. Embora a teoria dos tropos procure contornar os impasses dos modelos ontológicos anteriores, ela possui obstáculos conceituais inviáveis, como a explicação da semelhança entre propriedades e a sua localização espaço-temporal. Diante disso, o artigo propõe uma virada ontológica: substituir a estrutura estática do ser por uma ontologia de processos contínuos, dinâmicos e relacionais. Na proposta de Seibt, as propriedades deixam de ser entidades estáticas (universais ou particulares) e passam a ser compreendidas como padrões recorrentes de mudança dentro de fluxos processuais. Essa perspectiva dissolve a dicotomia entre universal e particular, ao conceber a multiplicidade como expressão de regularidades processuais em diferentes contextos. Com isso, concluímos que a ontologia de processos oferece uma alternativa conceitual mais coerente e produtiva para repensar o problema dos universais, permitindo uma metafísica alinhada com a complexidade dinâmica do mundo natural e com os desenvolvimentos contemporâneos da ciência e da filosofia.

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Biografia do Autor

Ralph Leal Heck, Universidade Federal do Ceará (UFC)

Doutor(a) em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza – CE, Brasil. Professor(a) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza – CE, Brasil.

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Publicado

2026-02-28

Como Citar

HECK, Ralph Leal. Do um‑em‑muitos aos fluxos contínuos. Griot : Revista de Filosofia, [S. l.], v. 26, n. 1, p. 1–19, 2026. DOI: 10.31977/grirfi.v26i1.5595. Disponível em: https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/griot/article/view/5595. Acesso em: 9 mar. 2026.

Edição

Seção

Artigos