Do um‑em‑muitos aos fluxos contínuos
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i1.5595Palabras clave:
Universais; Particulares; Ontologia analítica; Tropos; Ontologia de processo.Resumen
Este artigo propõe uma reinterpretação do clássico problema dos universais a partir da ontologia de processos formulada por Johanna Seibt. Inicialmente, examinamos instâncias de abordagens tradicionais realista e nominalista ao problema, seguido das dificuldades inerentes a ambas. Em seguida, analisamos a teoria dos tropos, particularmente na versão de Keith Campbell, como uma tentativa de mediação entre essas posições. Embora a teoria dos tropos procure contornar os impasses dos modelos ontológicos anteriores, ela possui obstáculos conceituais inviáveis, como a explicação da semelhança entre propriedades e a sua localização espaço-temporal. Diante disso, o artigo propõe uma virada ontológica: substituir a estrutura estática do ser por uma ontologia de processos contínuos, dinâmicos e relacionais. Na proposta de Seibt, as propriedades deixam de ser entidades estáticas (universais ou particulares) e passam a ser compreendidas como padrões recorrentes de mudança dentro de fluxos processuais. Essa perspectiva dissolve a dicotomia entre universal e particular, ao conceber a multiplicidade como expressão de regularidades processuais em diferentes contextos. Com isso, concluímos que a ontologia de processos oferece uma alternativa conceitual mais coerente e produtiva para repensar o problema dos universais, permitindo uma metafísica alinhada com a complexidade dinâmica do mundo natural e com os desenvolvimentos contemporâneos da ciência e da filosofia.
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