O estatuto e o papel do intelectual em Benda e Sartre

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v23i3.3470

Palavras-chave:

Sartre; Benda; Intelectuais; Autonomia; Engajamento.

Resumo

Esse artigo pretende explorar os temas do estatuto e da função do intelectual em dois autores significativos para a questão a partir do século XX: Julien Benda e Jean-Paul Sartre. Trata-se de revisitar as noções de autonomia e engajamento, fundamentais para uma compreensão comparativa entre os dois autores. O texto procura caracterizar de forma ampla o tipo de intelectual defendido por Benda no mesmo passo em que procura evidenciar a gênese e as condições de aparecimento do intelectual para Sartre. O Caso Dreyfus, momento histórico de surgimento do intelectual como o conhecemos, é revisitado a fim de estabelecermos um referencial concreto para as posições dos autores em discussão. A partir dos elementos levantados, procura-se argumentar no sentido das divergências entre Benda e Sartre sobre a natureza e o papel do intelectual, mas também propõe-se evidenciar o solo comum em que os dois autores parecem trafegar. O texto, ainda, aponta questões para se pensar o intelectual a partir das novas condições políticas e sociais na contemporaneidade.

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Biografia do Autor

Renato Belo, Universidade Federal de Lavras (UFLA)

Doutor(a) em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), São Paulo - SP, Brasil. Professor(a) da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras - MG, Brasil.

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Publicado

2023-10-31

Como Citar

BELO, Renato. O estatuto e o papel do intelectual em Benda e Sartre. Griot : Revista de Filosofia, [S. l.], v. 23, n. 3, p. 194–211, 2023. DOI: 10.31977/grirfi.v23i3.3470. Disponível em: https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/griot/article/view/3470. Acesso em: 29 fev. 2024.

Edição

Seção

Artigos