A aurora angelical da mulher branca e o crepúsculo perigoso da mulher negra:
a sexualização dos corpos femininos em Vinicius de Moraes
Palavras-chave:
Feminismo Negro, Literatura Brasileira, Vinicius de MoraesResumo
As poesias lírico-amorosas de Vinicius de Moraes (1913-1980) ecoam na cultura brasileira nas mais diversas manifestações artísticas, sobretudo na literatura e na música. Renomado poeta da segunda fase do Modernismo no Brasil, o teor romântico da poesia viniciana exalta o amor arrebatador e a beleza do corpo feminino em versos doces, singelos e ternos. Contudo, ao observarmos a descrição do corpo da mulher negra em palavras chulas e sexuais, é necessário perguntar: afinal, a quem são destinadas palavras de amor puro, com um deleite angelical, e a quem são destinadas palavras sobre o sexo imundo, de prazer infernal? Logo, serão analisados os poemas presentes na obra Antologia Poética (2009), em que será possível notar o contraste entre os corpos da mulher branca e da mulher negra e como essa última, a partir da articulação entre o racismo, sexismo e nação, sofre violência física e simbólica desde o período colonial até o contemporâneo. Refletirá sobre como a descrição poética dos corpos femininos na poesia de Moraes, no Modernismo, dialoga com a de Gregório de Matos (1636-1696), no Barroco, reforçando pensamentos coloniais como a pureza da mulher branca e a imoralidade sexual da mulher negra, utilizando como metodologia as obras das intelectuais Lélia Gonzalez (1984, 2020), Sueli Carneiro (2019), Patricia Hill Collins (2019), e do intelectual Stuart Hall (2016).
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