Carl Schmitt e a "marcha triunfal da democracia"

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i2.5846

Palavras-chave:

Liberalismo; Democracia; Parlamentarismo.

Resumo

O texto examina a crítica de Schmitt ao parlamentarismo no contexto do que ele chamou de “marcha triunfal” da democracia. O objetivo é destacar a distinção conceitual entre liberalismo e democracia desenvolvida pelo autor na década de 1920, como ponto de partida para compreender seu decisionismo. Busca-se argumentar que enquanto o primeiro se fundamenta e tem como princípio estruturante a crença na discussão pública, a democracia se ancora sobretudo no princípio de identidade entre governantes e governados. Partindo dessa distinção, Schmitt pode redefinir a democracia para além de sua identificação com formas institucionais específicas, indo além do caráter formal e abstrato e da ausência de critérios substantivos de legitimidade, que marcaram a visão equivocada de associar democracia e liberalismo. Desse modo, a democracia de massas opera como um princípio vazio de legitimação, capaz de sustentar formas políticas diversas e até contrastantes, abrindo espaço para sua compatibilidade com modos intensificados de tomada de decisão.

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Biografia do Autor

Felipe Alves, Universidade de São Paulo (USP)

Doutorando(a) em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP), São Paulo – SP, Brasil. Bolsista do CNPq.

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Publicado

2026-06-28

Como Citar

ALVES, Felipe. Carl Schmitt e a "marcha triunfal da democracia". Griot : Revista de Filosofia, [S. l.], v. 26, n. 2, p. 278–291, 2026. DOI: 10.31977/grirfi.v26i2.5846. Disponível em: https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/griot/article/view/5846. Acesso em: 12 jul. 2026.

Edição

Seção

Artigos