Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí e a (enunci)ação filosófica dos nomes iorubás

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i2.5788

Palavras-chave:

Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí; Nomes; Nomes iorubás; Filosofia africana.

Resumo

Este artigo investiga a (enunci)ação filosófica dos nomes iorubás a partir do pensamento da filósofa iorubá Oyérónkẹ́ Oyěwùmí, que compreende o nome não apenas como mera expressão linguística ou uma palavra com a qual se designa pessoas e coisas, mas a exteriorização que determina e situa o ser no seu contexto familiar, genealógico, ancestral e social. Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí destaca que, antes da colonização britânica, a sociedade Oyó-iorubá não se organizava por meio de gênero, mas de senioridade. Consequentemente, nomes, pronomes, substantivos, atividades, funções e termos designativos de características não apresentavam marcações generificadas. A emergência de nomes generificados é entendida tanto como reflexo dos processos coloniais que transformaram modos de pensar e práticas sociais quanto como indicador da ocidentalização. Processo que exerceu profundo impacto sobre os povos iorubás e suas práticas de nomeação. Metodologicamente, o artigo dialoga com referências da filosofia africana ao sustentar que a reflexão sobre os nomes constitui um campo fecundo para a ampliação do horizonte conceitual da própria filosofia.

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Biografia do Autor

Aline Matos da Rocha, Universidade de Brasília (UnB)

Doutor(a) em Metafísica pela Universidade de Brasília (UnB), Brasília – DF, Brasil.

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Publicado

2026-06-28

Como Citar

MATOS DA ROCHA, Aline. Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí e a (enunci)ação filosófica dos nomes iorubás. Griot : Revista de Filosofia, [S. l.], v. 26, n. 2, p. 351–363, 2026. DOI: 10.31977/grirfi.v26i2.5788. Disponível em: https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/griot/article/view/5788. Acesso em: 12 jul. 2026.

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Artigos