A felicidade (Saadah) na concepção espiritual dos pensadores muçulmanos: uma contribuição para a filosofia e psicologia islâmica
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i1.5743Palavras-chave:
Felicidade; Filosofia Islâmica; Psicologia Islâmica; Islam; Filosofia Antiga.Resumo
Os conceitos de felicidade difundidos na Ciência mantêm, em sua grande parte, um enfoque em visões de mundo ocidentais que, além de restritas a uma determinada perspectiva cultural, nem sempre incluem ou realçam o elemento espiritual. As obras filosóficas medievais construídas pela civilização árabe-islâmica teve como uma de suas marcas a união da espiritualidade com o pensamento científico. O objetivo desse estudo é realizar uma pesquisa bibliográfica que possibilite identificar e comparar as ideias de filósofos gregos clássicos como Sócrates, Platão e Aristóteles com as concepções de felicidade desenvolvidas por filósofos islâmicos como Al-Kindi, Al-Balkhi, Al-Farabi, Ibn-Misakwayh, Avicena, Averróis e Al-Ghazali. Constata-se ao longo do estudo que filósofos da Antiguidade clássica constroem suas concepções de felicidade com base no mundo tangível, relacionando-a aos conceitos de virtude, justiça, sabedoria e às distinções de hedonismo e eudaimonismo, enquanto que, no pensamento islâmico, o conceito de felicidade (saadah) não se restringe apenas a valores, virtudes e à subjetividade, mas também ao equilíbrio entre três aspectos: corpo, mente e alma. Teorias e reflexões construídas por estudiosos muçulmanos experientes, incluindo filósofos, teólogos e médicos, edificaram um conceito mais holístico de felicidade que inclui aspectos físicos, cognitivos/intelectuais, emocionais com uma ênfase especial a elementos espirituais.
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