A anti-Babel yanomami: Pistas para uma teoria xamânica da comunicação ontológica
DOI :
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i2.5786Mots-clés :
Analogia; Equivocidade; Nominalismo; Ontologia; Perspectivismo; Univocidade.Résumé
Este artigo trabalha com a hipótese de que a noção yanomami de “espírito auxiliar xamânico” (xapiri) pode ser pensada como variação cosmológica do conceito de “expressão”, desdobramento topológico-nominal e eixo de articulação de sentido entre domínios a princípio distintos — termo que Gilles Deleuze atribui ao “atributo” na Ética spinozana. Tal hipótese leva em conta a sugestão de Marco Valentim de que a cosmologia yanomami apresenta uma espécie de “nominalismo exorbitante”, submetendo a unidade da expressão xapiri a uma multiplicidade de imagens utupë, duplos imagético-intensivos da pessoa yanomami. Se admitirmos isso e partirmos do pressuposto de que cosmologias como essa estão perpassadas por uma equivocidade ontológica constitutiva, na qual não só povos/espécies, como mundos/naturezas estão em constante atrito e desencontro, como garantir comunicabilidade? Em contraste com as soluções deleuze-guattariana (por via do unívoco) e dusseliana (por via do análogo) do problema da comunicação ontológica, proponho aqui que o xamanismo yanomami busca suturar a lacuna comunicacional entre mundos distintos por meio do xapiri, entendido enquanto expressão “transontológica”, envolvendo a introdução aparentemente paradoxal de mais equívoco no sistema.
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