O dasein é espírito no mundo: reflexões sobre a morte em Heidegger e Hegel

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DOI :

https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i1.5676

Mots-clés :

Hegel, Idealismo absoluto, morte

Résumé

A recepção favorável da filosofia de Heidegger no pós-guerra decorre de sua afinidade com o processo de secularização da cultura ocidental, especialmente ao tematizar a morte como estrutura ontológica da existência, desvinculada das promessas de transcendência religiosa. Essa concepção ressoou entre intelectuais que, diante do declínio da autoridade religiosa, passaram a compreender a finitude humana sob a perspectiva do nada. Em contraste, Hegel interpreta a morte não como expressão de uma finitude ontológica, mas como momento necessário da dialética da vida do espírito, em que a finitude é superada na totalidade do Absoluto. Assim, enquanto Heidegger vincula a experiência da morte ao horizonte existencial do ser-no-mundo, Hegel a insere no movimento especulativo em que vida e morte se revelam como momentos complementares da autoconstituição da Ideia. O artigo propõe, nesse sentido, problematizar as pretensões ontológicas da filosofia heideggeriana e confrontá-las com a reflexão hegeliana sobre o dasein e a morte.

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Biographie de l'auteur

Sinésio Ferraz Bueno, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP)

Doutor(a) em História e Filosofia da Educação  pela Universidade de São Paulo (USP), São Paulo – SP, Brasil. Professor(a) livre-docente da  Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Marilia – SP, Brasil.

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Publiée

2026-02-28

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FERRAZ BUENO, Sinésio. O dasein é espírito no mundo: reflexões sobre a morte em Heidegger e Hegel. Griot : Revista de Filosofia, [S. l.], v. 26, n. 1, p. 166–179, 2026. DOI: 10.31977/grirfi.v26i1.5676. Disponível em: https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/griot/article/view/5676. Acesso em: 9 mars. 2026.

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