O nascimento da psicofísica pelo conatus: plasticidade e circuito do indivíduo em Hobbes

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i2.5811

Palavras-chave:

Thomas Hobbes; Conatus; Psicofísica; Plasticidade; Mecanicismo; Deliberação.

Resumo

O presente artigo investiga a gênese da psicofísica hobbesiana a partir do conatus, demonstrando que esse conceito opera como princípio genético que faz nascer simultaneamente a descrição do indivíduo como corpo senciente e a plasticidade como capacidade de reconfiguração interna pela experiência. A plasticidade de que se trata não corresponde à noção contemporânea de neuroplasticidade nem a qualquer projeção retrospectiva: ela designa, estritamente, propriedades que se deduzem do conatus tal como definido no De Corpore XV — persistência, acumulação e reorganização de movimentos no corpo vivo. A investigação acompanha a diferenciação do conatus em vital e reativo, examinando como o encontro entre pressão externa e movimento vital gera sensação, imaginação, memória, paixões e deliberação. O argumento central sustenta que a plasticidade emerge como consequência necessária do modo como o conatus organiza o circuito que vai do impacto sensorial à ação. O artigo reconstrói essa progressão exclusivamente a partir dos textos de Hobbes — De Corpore, Leviatã, Elementos da Lei, De Homine e Terceiras Objeções —, evidenciando que a mesma estrutura que permite aprendizagem e formação de hábitos permite também erro, loucura e desorganização. A análise demonstra que o circuito psicofísico dissolve o dualismo mente-corpo sem incorrer em reducionismo ontológico, situando o indivíduo hobbesiano como organismo plástico cujas disposições se formam, estabilizam e reorganizam pela experiência acumulada.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Patricia Costa Martinez, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Doutor(a) em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis – SC, Brasil. Pós-doutorando(a) na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis – SC, Brasil.

Referências

HERBERT, Gary B. Thomas Hobbes: the unity of scientific and moral wisdom. Vancouver: University of British Columbia Press, 1989.

HOBBES, Thomas. Elements of Philosophy: Concerning Body (De Corpore). In: MOLESWORTH, William (ed.). The English Works of Thomas Hobbes of Malmesbury. London: John Bohn, 1839. v. 1.

HOBBES, Thomas. Leviatã, ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Abril S.A. Cultural e Industrial, 1974. (Coleção Os Pensadores).

HOBBES, Thomas. Man and Citizen (De Homine and De Cive). Edited by Bernard Gert; translated by Charles T. Wood, T. S. K. Scott-Craig and Bernard Gert. Indianapolis: Hackett Publishing Company, 1991.

HOBBES, Thomas. Os elementos da lei natural e política. Tradução de Bruno Simões. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.

HOBBES, Thomas. Terceiras objeções às Meditações de Descartes. Modernos & Contemporâneos, Campinas, v. 5, n. 11, p. 288-306, jan./jun. 2021.

LEIJENHORST, Cees. The Mechanization of Aristotelianism: the late Aristotelian setting of Thomas Hobbes' natural philosophy. Leiden: Brill, 2002.

LIMONGI, Maria Isabel. O homem excêntrico: paixões e virtudes em Thomas Hobbes. São Paulo: Loyola, 2009.

MALCOLM, Noel. Aspects of Hobbes. Oxford: Oxford University Press, 2002.

ZARKA, Yves Charles. La décision métaphysique de Hobbes: conditions de la politique. Paris: Vrin, 1999.

Downloads

Publicado

2026-06-28

Como Citar

COSTA MARTINEZ, Patricia. O nascimento da psicofísica pelo conatus: plasticidade e circuito do indivíduo em Hobbes. Griot : Revista de Filosofia, [S. l.], v. 26, n. 2, p. 214–226, 2026. DOI: 10.31977/grirfi.v26i2.5811. Disponível em: https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/griot/article/view/5811. Acesso em: 12 jul. 2026.

Edição

Seção

Artigos