O debate em torno do conceito de natureza humana entre transumanistas e bioconservadores

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i1.5661

Palavras-chave:

Transumanismo; Bioconservadores; Natureza humana; Aprimoramento humano; Manipulação genética.

Resumo

Este artigo explora o debate entre transumanistas e bioconservadores sobre a redefinição da natureza humana por meio das biotecnologias emergentes. Os transumanistas defendem que o aprimoramento humano é um dever moral necessário para que o ser humano seja capaz de superar suas limitações. Em contrapartida, os bioconservadores argumentam que essa manipulação biotecnológica ameaça valores intrínsecos da natureza humana, promovendo uma homogeneização e instrumentalização do humano que podem levar a consequências éticas e existenciais problemáticas. Ao analisar as suposições filosóficas que sustentam ambas as posições, este estudo ilumina as tensões entre progresso e cautela no discurso biotecnológico contemporâneo. A discussão apresentada ao longo deste trabalho, contribui para uma compreensão mais profunda de como os limites conceituais da natureza humana são desafiados e remodelados por intervenções tecnológicas voltadas ao aprimoramento. Além disso, este artigo analisa criticamente essas posições, investigando as implicações filosóficas e éticas de uma biotecnologia voltada para o aprimoramento humano e considerando a viabilidade de um caminho intermediário que respeite a diversidade humana e a integridade de seus valores fundamentais.

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Biografia do Autor

Leonardo Nunes Camargo, Academia da Força Aérea (AFA)

Doutor(a) em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Curitiba – PR, Brasil.

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Publicado

2026-02-28

Como Citar

CAMARGO, Leonardo Nunes. O debate em torno do conceito de natureza humana entre transumanistas e bioconservadores. Griot : Revista de Filosofia, [S. l.], v. 26, n. 1, p. 20–34, 2026. DOI: 10.31977/grirfi.v26i1.5661. Disponível em: https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/griot/article/view/5661. Acesso em: 9 mar. 2026.

Edição

Seção

Artigos