A crítica da retórica em Platão e Santo Agostinho: Górgias, De magistro e De doctrina christiana I, II, III
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i2.5852Palavras-chave:
Retórica; Discurso; Verdade; Platão; Santo Agostinho.Resumo
Este artigo examina as críticas dirigidas à retórica no pensamento de Platão e Santo Agostinho, mostrando que, embora partam de horizontes históricos e filosóficos distintos, ambos recusam a pretensão de autonomia do discurso persuasivo. No Górgias, Platão problematiza a retórica em sua dimensão política e argumenta que, por carecer de conhecimento do objeto e de explicação racional de seus procedimentos, ela não pode ser legitimada como verdadeira arte (tekhne), sendo reduzida ao domínio da experiência e da adulação. Em Agostinho, sobretudo no De magistro e nos livros I, II e III do De doctrina christiana, a crítica desloca-se para o problema da insuficiência dos signos e para a subordinação da palavra à verdade ensinada pelo Mestre interior. Desse modo, o artigo sustenta que, em ambos os autores, a legitimidade do discurso depende de seu vínculo com a verdade e de sua ordenação a um fim superior, o que impede que a retórica se apresente como técnica autônoma e moralmente indiferente.
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