Intuição de não-existência: considerações sobre a problemática metafísica da cognitio intuitiva em Guilherme de Ockham
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i1.5686Palavras-chave:
Intuição; Abstração; Evidência; Crença; Não-existência.Resumo
O presente artigo examina a cognição intuitiva em Guilherme de Ockham, em sua relação com as outras operações da alma intelectiva, como a abstração e o juízo, e com o que se constitui para ele como “evidência”. Especial atenção é dada ao caso limite que Ockham chama “intuição de não-existência” e aos motivos pelos quais ele a apresenta, além da resposta à questão da onipotência divina, como no contra-argumento de seu opositor W. Chatton. A intuição de não-existência é considerada aqui da perspectiva da integridade das condições contingenciais de conhecimento em Ockham e da necessidade de uma fundamentação última num quadro epistemológico contrário à metafísica da participação e ao realismo dos universais, e radicalmente voltado aos indivíduos. Se a intuição de não-existência impõe então dificuldades à teoria do conhecimento ockhamista, ela se mostra, por outro lado, totalmente consequente com suas implicações metafísicas. Há assim uma coerência na solução de Ockham para a ação divina causadora de uma intuição de existência de um não-existente através de um ato creditivo direto no intelecto, enquanto uma interferência na volição que o expõe aos seus limites e à sua negação. O recurso à ação divina seria requerido, finalmente, por suas condições de absoulta “externalidade” à relação entre intelecto e coisa.
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