Na encruzilhada do destino: a liberdade como aquilo que define o significado de ser humano, segundo a filosofia de Òrúnmìlà
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i3.6056Palavras-chave:
Orí; Destino; Livre-vontade; Fatalismo; Ènìyàn.Resumo
Este artigo propõe uma desconstrução das leituras fatalistas do conceito de Orí no pensamento de Òrúnmìlà, contrapondo-se às interpretações de Bọlájí Idowu e Ségun Gbadegesin, para quem as três formas de concessão do destino em Ifá (Àkúnlẹ̀yàn, Àkúnlẹ̀gbà e Ayànmọ) configurariam uma sujeição inalterável do agente a um plano preestabelecido. Mediante uma análise hermenêutico-alegórica e filológica desses conceitos, e a partir da etimologia de ènìyàn (pessoa que escolhe), defende-se que tais instâncias não constituem fatalidade, mas expressões da livre-vontade (Ìfẹ́-àtinúwá) e da responsabilidade moral do agente. Argumenta-se que a leitura fatalista decorre de uma interpretação excessivamente literal dos mitos e provérbios ifistas, a qual ignora sua dimensão alegórica e a centralidade da escolha (yàn) na constituição ontológica do ser humano. O artigo distingue, ainda, o conteúdo do destino escolhido, irrevogável, do modo como esse destino se desdobra na existência terrena, que depende do caráter (ìwà) e do esforço (ẹsẹ̀) do agente. Conclui-se que Ifá constitui um sistema filosófico no qual o ser humano é protagonista de seu próprio destino, de modo que a interpretação fatalista representa uma antítese ao pensamento de Òrúnmìlà.
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