O quadro teórico da filosofia transcendental em Kant: da filosofia teórica à filosofia prática
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i3.6051Palavras-chave:
Kant; Filosofia transcendental; Sujeito; Liberdade; Autonomia.Resumo
O presente artigo tem como objetivo realizar uma análise do quadro teórico da filosofia kantiana. A partir dessa investigação, busca-se sustentar a hipótese de que a arquitetônica da filosofia kantiana, da filosofia teórica à filosofia prática, estrutura-se a partir do conceito de sujeito, compreendido como subjectus, isto é, como aquilo que é posto como fundamento do conhecimento. Na filosofia transcendental, contudo, o sujeito não é compreendido como sujeito empírico nem como produtor dos objetos, mas como instância transcendental na qual se articulam as condições de possibilidade do conhecimento e da ação. Nesse sentido, a unidade entre a filosofia teórica e a filosofia prática de Kant pode ser compreendida a partir da razão como instância de investigação dessas condições, cuja articulação encontra na liberdade um ponto decisivo de passagem da razão teórica à razão prática. Ao longo do estudo, será apresentado o arcabouço conceitual de Kant, evidenciando a articulação existente entre essas duas dimensões do saber. Inicialmente, parte-se da análise da filosofia transcendental e da atividade cognitiva do sujeito na produção do conhecimento; em seguida, examina-se o conceito de liberdade transcendental como princípio fundamental da filosofia prática. A partir dessas duas abordagens, torna-se possível compreender a arquitetônica da filosofia kantiana. A metodologia adotada baseou-se em revisão bibliográfica das obras de Kant, bem como de estudos críticos sobre a temática. Para tanto, recorreu-se às duas grandes vertentes da filosofia kantiana — a teórica e a prática — que ofereceram suporte para o aprofundamento do objeto investigado.
Referências
ARISTÓTELES. Metafísica. 2ª ed. São Paulo: Edipro, 2012.
ALLISON, Henry, E. El idealismo trascendental de Kant: una interpretación y defensa. Prólogo y traducción de Dulce María Granja Castro. – Barcelona: Anthropos; México: Universidad Autónoma Metropolitana – Iztapalapa, 1992.
CARMO, L. A. D. A reflexão filosófica transcendental. Fortaleza: EdUECE/ ABREU, 2013.
FARIA, Maria do Carmo Bettencourt de. Direito e ética: Aristóteles, Hobbes, Kant. São Paulo: Paulus, 2007.
HABERMAS, J. O discurso filosófico da modernidade: doze lições. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
HEIDEGGER, Martin. Que é metafísica? Tradução de Ernildo Stein. 7ª Ed. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1969.
HUME, David. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Editora Nova Cultura. Coleção os Pensadores. 5. Ed, 1992.
JAPIASSU, Hilton. Francis Bacon – O profeta da Ciência Moderna. São Paulo: Editoras Letra & Letras, 1995.
KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura [KrV]. Rio de Janeiro: Vozes, 2012.
KANT, Immanuel. Prolegômenos a qualquer metafísica futura que possa apresentar-se como ciência [Prol]. São Paulo: Estação da Liberdade, 2014.
KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes [GSM]. Lisboa: Edições 70, 2009.
LOPARIC, Zeljko. O problema fundamental da semântica jurídica de Kant. In: PEREZ, Daniel Omar (Org.). Kant no Brasil. São Paulo: Escuta, 2005.
OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. A Filosofia na Crise da Modernidade. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 1995.
OLIVEIRA, M./ ALMEIDA, Custódio, Organizadores. O Deus dos filósofos modernos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.
OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Sobre a Fundamentação. 2. Ed. Porto Alegre: PDIPUCRS, 1997.
OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Ética e Racionalidade moderna. São Paulo: Loyola, 1993.
OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Filosofia Transcendental e Religião: Ensaios sobre a Filosofia da Religião em Karl Rahner. São Paulo: Loyola, 1984.
OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. A concepção de ética e direito na filosofia de Kant. Síntese - Rev. de Filosofia. Belo Horizonte, v. 37, n. 119, 2010. p. 351 – 370.OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Ética e Sociabilidade. 5ª ed. São Paulo: Loyola, 2015.
SALGADO, Joaquim Carlos. A idéia de Justiça em Kant: seu fundamento na liberdade e na igualdade. 2. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1995.
SCHOPENHAUR Arthur. Crítica da filosofia kantiana. In: Schopenhaur, Arthur. Vida e obra. São Paulo: Editora Nova Cultura Ltda, 1999.
TAVARES, Manuel; FERRO, Mário. Análise da obra de Kant. 2. ed. Lisboa: Editora Presença,1997.
TRIVISONNO, Alexandre Tarvessoni Gomes. A moral e o direito em Kant: ensaios analíticos. 2. ed. Caxias do Sul, RS: Educs, 2015.
VAZ, Pe. Henrique C. de Lima. Raízes da Modernidade: escritos de filosofia VII. 2. Ed. São Paulo: Edições Loyola, 2012.
VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Filosofia e circunstância. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Francisco Eliandro Souza do Nascimento, Milene Consenso Tonetto

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores que publicam na Griot : Revista de Filosofia mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution 4.0 International License, permitindo compartilhamento e adaptação, mesmo para fins comerciais, com o devido reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista. Leia mais...






















































