Alienação, perda do futuro e sofrimento psíquico-existencial na era da aceleração social: a hipótese do “esgotamento subjetivo” do modo de vida capitalista
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i3.6034Palavras-chave:
Aceleração social; Alienação; Existência; Sofrimento psíquico; Subjetividade; Tempo.Resumo
O objetivo deste artigo é delinear as linhas de força do conceito de “esgotamento subjetivo” do modo de vida capitalista, entendido como o quadro de exacerbação das consequências psicossociais e existenciais, fundamentalmente vividas em termos patológicos, ante a conexão típica da tardo-modernidade, evidenciada por Hartmut Rosa, entre aceleração social, e a captura quase integral do tempo de vida que ela impõe, e os processos de alienação descritos por Marx como característicos do modo de produção capitalista. Em um segundo momento, com o auxílio da filosofia de Sartre, se procurará mostrar como essa relação heterônoma com o tempo, em particular com a perda da dimensão de futuro que ela acarreta, bloqueia as possibilidades de construção de um sentido existencial propriamente humano, reduzindo a vida à sobrevivência. Abre-se, assim, espaço para a proliferação de resistências de ordem patológica, cuja compreensão extrapola o plano individual, sendo melhor definidas como sintomas do social, ou como “experiências sociais negativas”. Em outros termos, defende-se que o atual estágio de desenvolvimento capitalista produz, não apenas como um fenômeno residual, mas como decorrência intrínseca de seu próprio modo de funcionamento, formas de estar no mundo que fomentam um quadro de generalização do sofrimento psíquico-existencial, notadamente a depressão.
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