A temporalidade do pensar em Hannah Arendt

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i3.5992

Palavras-chave:

Temporalidade; Vida do espírito; Pensamento; Retirada do mundo.

Resumo

O artigo investiga a concepção temporal de Hannah Arendt e sua correlação com as faculdades espirituais, em especial o pensamento. Inicialmente, apresenta-se o contraste entre o tempo cronológico e a percepção temporal. Segundo a noção agostiniana de distensão do espírito, o tempo nasce da ação espiritual, que integra o passado, retido na memória, o presente, focado nos sentidos, e o futuro, projetado na expectativa. Em seguida, introduz-se a análise da temporalidade da vida ativa, realçando o contraste com a da vida do espírito. O trabalho detém natureza circular e efêmera, a fabricação opera de modo linear e confere durabilidade ao mundo, enquanto a ação é marcada por imprevisibilidade e fragilidade intrínsecas. A argumentação central recai sobre o ato de pensar, o qual dessensorializa e desespacializa o que lhe chega pelos sentidos, preparando objetos de pensamento adequados ao presente permanente criado no espírito. A atividade do pensar é ilustrada por meio da interpretação arendtiana de uma parábola de Kafka, que o apresenta como uma atividade situada na lacuna entre passado e futuro, lutando com ambos. Do embate entre essas forças surge o pensar, como uma linha originada no presente e com o poder de estender-se ao infinito. Nessa ótica, embora voltado à incessante busca por significado, o pensamento mantém-se invariavelmente enraizado na existência humana. Após breve análise da temporalidade das demais atividades do espírito, conclui-se ressaltando a importância da temporalidade para a compreensão de aspectos fundamentais da obra de Arendt.

Biografia do Autor

  • Paulo Ricardo Gontijo Loyola, Universidade Federal de Goiás

    Doutorando(a) em Filosofia na Universidade Fderal de Goias (UFG), Goiânia – GO, Brasil.  

Referências

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Publicado

2026-10-26

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

GONTIJO LOYOLA, P. R. A temporalidade do pensar em Hannah Arendt. Griot : Revista de Filosofia, v. 26, n. 3, p. 182–195, 26 out.2026.