O fenômeno do desejo: um estudo a partir da fenomenologia da vida e do amor
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i3.5956Palavras-chave:
Desejo; Michel Henry; Jean-Luc Marion; Clínica contemporânea; Ensino.Resumo
O presente artigo consiste em discutir o fenômeno do desejo a partir da fenomenologia da vida e do amor desenvolvidas por Michel Henry e Jean-Luc Marion, buscando explicitar suas implicações tanto para a clínica quanto para a prática do ensino. Metodologicamente, trata-se de uma revisão narrativa de caráter filosófico-hermenêutico-fenomenológico, centrada na análise de obras fundamentais dos referidos autores. A investigação evidencia, através da fenomenologia da vida, que o desejo erótico apenas se efetiva enquanto experiência interpatética e intercarnal, situando-se na invisibilidade da autoafecção. O desejo, compreendido como querer-viver, manifesta-se como expressão originária da vida em sua imanência radical, permanecendo irredutível à objetivação intencional. Por sua vez, na fenomenologia do amor, o desejo emerge da doação originária que advém de alhures, suscitando a abertura ao rosto, ao olhar e ao encontro com outrem. Nesse contexto, tanto a clínica quanto o ensino demandam relações fundadas em uma comunhão intersubjetiva patética, capazes de acolher a experiência afetiva em sua dimensão originária. No âmbito clínico, tal perspectiva possibilita a transformação do sofrer em fruir, a intensificação do querer-viver e o redirecionamento do desejo para aquilo que excede toda objetivação e posse. No ensino, evidencia-se a importância de práticas formativas que não reduzam o conhecimento à mera transmissão conceitual, mas que favoreçam experiências de encontro e abertura ao outro, compreendendo a educação como constituição ética, afetiva e existencial. Assim, clínica e ensino são modos nos quais o desejo pode reencontrar sua orientação originária: a abertura ao inapreensível, ao excesso da vida e ao amor incondicional.
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