Para além do princípio de cultura: a psicanálise diante das ontologias dos outros
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i3.5938Palavras-chave:
Ontologia; Natureza; Cultura; Sigmund Freud; Philippe Descola.Resumo
A partir da descentralização do quadro ontológico naturalista empreendido pela antropologia de Philippe Descola, este artigo propõe um exercício conceitual que convida a imaginar um deslocamento em relação a compreensão a respeito do lugar que a psicanálise ocupa nesse novo panorama. A hipótese defendida neste trabalho consiste em investigar se, apesar das conhecidas posições naturalistas de Freud, sua obra conteria elementos que permitiriam situar a psicanálise dentro de um campo de variações ontológicas mais amplo, que inclui, além do naturalismo, outras três ontologias: o animismo, o totemismo e o analogismo. Para isso, o artigo revisita quatro momentos da obra freudiana: a oposição entre natureza e cultura em O mal-estar na civilização; o mito da Horda Primitiva em Totem e tabu; a perda da onipotência narcísica em Introdução ao narcisismo; e a lógica do sintoma e da interpretação dos sonhos. Em cada um desses momentos, interroga-se em que medida a psicanálise freudiana pode ser lida como uma variante das diferentes ontologias inventariadas por Descola.
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