Do relógio sem ponteiros ao sabor dos morangos silvestres: angústia, memória e finitude em Ingmar Bergman

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i3.5920

Palavras-chave:

Ontologia da finitude; Fenomenologia cinematográfica; Angústia; Heidegger; Bergman.

Resumo

Este artigo examina Morangos Silvestres (Smultronstället, 1957), de Ingmar Bergman, à luz do pensamento de Martin Heidegger, sobretudo em Ser e Tempo e O que é metafísica? Defende-se que a trajetória de Eberhard Isak Borg não se reduz ao drama psicológico de um homem idoso diante das lembranças, mas pensa cinematograficamente a passagem de uma existência atravessada pela impropriedade (Uneigentlichkeit) para uma possível apropriação da finitude. O primeiro sonho, no qual surgem o relógio sem ponteiros, a rua vazia, a carruagem fúnebre e o encontro com o próprio cadáver, é interpretado como experiência de angústia, nadificação do mundo familiar e abertura ao ser-para-a-morte (Sein-zum-Tode). Em seguida, analisa-se como essa abertura se desdobra na viagem, nas rememorações, no julgamento onírico, no apelo da consciência e nos gestos finais de Isak, compreendidos como momentos de uma travessia ontológica em que a morte, longe de significar pura aniquilação, pode devolver espessura às possibilidades da existência e reabrir o vínculo com os outros.

Biografia do Autor

  • Luan Alves dos Santos Ribeiro, Universidade Federal do ABC

    Doutor(a) em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre – RS, Brasil. Pós-doutorado(a) em Filosofia pela Universidade Federal do ABC (UFABC), São Bernardo do Campo – SP, Brasil.

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Publicado

2026-10-26

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

ALVES DOS SANTOS RIBEIRO, L. Do relógio sem ponteiros ao sabor dos morangos silvestres: angústia, memória e finitude em Ingmar Bergman. Griot : Revista de Filosofia, v. 26, n. 3, p. 1–18, 26 out.2026.