A irredutibilidade da autoconsciência e sua pré-reflexibilidade: Dieter Henrich, Manfred Frank e o legado da Escola de Heidelberg
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i3.5918Palavras-chave:
Autoconsciência; Pré-reflexividade; Escola de Heidelberg; Dieter Henrich; Manfred Frank.Resumo
O artigo reconstrói o tratamento da autoconsciência na chamada Escola de Heidelberg a partir de um único problema, o da circularidade do modelo reflexivo, que pressupõe o saber de si que deveria explicar. Acompanha-se esse problema desde o insight originário de Fichte, tal como recuperado por Dieter Henrich em 1966, até a divergência de Manfred Frank, que se mostra menos uma disputa entre autores do que uma alternativa de fundo: a irredutibilidade da autoconsciência aponta para fora de si ou repousa em si mesma? Henrich, depois de ensaiar a teoria do campo anônimo e da polifatorialidade, reconhece o limite de toda análise fatorial e faz da autorrelação um índice que remete a um fundamento e a um mundo; Frank recusa o regresso à relação e resolve a autoconsciência numa familiaridade pré-reflexiva consigo, irredutível e não-relacional, em diálogo com a teoria analítica do de se e com a fenomenologia. Conclui-se que a contribuição da escola consiste em assegurar a irredutibilidade do sujeito, tanto frente ao modelo reflexivo quanto frente às reduções culturalistas, psicologistas e sociologistas, fazendo a filosofia fincar bandeira sobre um campo estritamente seu.
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