Da proteção ao desamparo: uma leitura fenomenológica da responsividade, vulnerabilidade e estranheza na crise contemporânea das garantias
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i1.5773Palavras-chave:
Edmund Husserl; Bernhard Waldenfels; Proteção; Mundo-da-vida; Ética responsiva.Resumo
Este artigo analisa fenomenologicamente a crise contemporânea das garantias a partir dos conceitos de proteção, vulnerabilidade e desamparo. Com Husserl, sustenta-se que a proteção não deve ser compreendida primordialmente como dispositivo jurídico ou técnico, mas como estrutura pré-reflexiva da experiência, inscrita no mundo-da-vida enquanto solo de validade, confiança e orientação. A crise das garantias expressa, assim, o colapso desse horizonte que sustentava a normalidade cotidiana e a previsibilidade do mundo social. Em um segundo momento, recorre-se à fenomenologia de Waldenfels para analisar a corporeidade como lugar originário da vulnerabilidade e da exposição ao estranho. O corpo é compreendido como instância de pathos, fazendo da proteção uma resposta sempre tardia ao acontecimento. Por fim, examina-se a crise europeia da proteção, destacando a figura do refugiado como expressão do desamparo contemporâneo e propondo a figura do terceiro como mediação entre resposta e responsabilidade.
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