Criatividade em tempos de dispositivos neoliberais de vigilância digital — um estudo a partir de Foucault, Han e Winnicott.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31977/grirfi.v26i1.5597

Palavras-chave:

Neoliberalismo; Panoptismo digital; Transparência; Criatividade.

Resumo

Boa parte das discussões sobre panoptismo digital é tributária de noções foucaultianas como as de panoptismo, vigilância e controle, que Foucault se dedicou a examinar ao tratar especificamente das tecnologias de poder disciplinar. O objetivo do presente artigo é examinar o panoptismo digital e a hiperexposição de si, compreendidas como características do ambiente virtual e seus possíveis efeitos na subjetividade. Para isto, consideramos o ambiente virtual e seu funcionamento enquanto parte do contexto neoliberal de governo de condutas. Percorremos, em um primeiro momento, as noções foucaultianas de panoptismo e confissão, bem como os estudos de Byung-Chul Han sobre o que chama sociedade da transparência. Em um segundo momento, examinamos os possíveis efeitos da hiperexposição na subjetividade utilizando como ferramenta de análise a teoria psicanalítica de Donald W. Winnicott. Foi possível constatar que o ambiente virtual tem funcionamento análogo ao da arte neoliberal de governar as subjetividades. Além disso, foi possível constatar que há, nas atuais formas de utilizar o ambiente virtual, um potencial de esgotamento e de prejuízos à saúde psíquica, levando em conta os prováveis prejuízos para a criatividade, conforme descrita por Winnicott.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Flávia Andrade Almeida, Universidade Paulista (UNIP)

Doutor(a) em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP), São Paulo – SP, Brasil. Professor(a) da  Universidade Paulista (UNIP), São Paulo – SP, Brasil.

Referências

AB’SABER, T. Winnicott: experiência e paradoxo. São Paulo: Ubu Editora, 2021.

ALMEIDA, F. A. Suicídio e Medicalização da vida – reflexões a partir de Foucault. Curitiba: CRV, 2021.

ALMEIDA, F. A. e FREITAS, F. S. DE. Subjetividade e desamparo: um olhar winnicottiano sobre a racionalidade neoliberal. Griot: Revista de Filosofia, [S. l.], v. 21, n. 2, p. 115–131, 2021. DOI: 10.31977/grirfi.v21i2.2370. Disponível em: https://www3.ufrb.edu.br/seer/index.php/griot/article/view/2370 . Acesso em: 20 de nov. 2024.

BEZERRA JR. B. e ORTEGA, F.. Por que Winnicott hoje. In: Winnicott e seus interlocutores / Francisco Ortega – Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2007.

DUNKER, C. I. L. Intoxicação Digital Infantil. In: Intoxicações eletrônicas: o sujeito na era das relações digitais/ org: Angela Baptista, Julieta Jerusalinsky. – Salvador: Ágalma, 2021.

FOUCAULT, M. Em defesa da Sociedade. Curso no Collège de France (1975-1976). 3ª edição. Edição estabelecida no âmbito da Associação para o Centro Michel Foucault, sob direção de François Ewald e Alessandro Fontana, por Mauro Bertani e Alessandro Fontana. Tradução de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo, Martins Fontes, 2016.

FOUCAULT, M. História da sexualidade I: A vontade de saber. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro, Edições Gral, 2009.

FOUCAULT, M. Nascimento da biopolítica. Curso no Collège de France (1978-1979). Tradução de Pedro Elói Duarte. Lisboa, Edições 70, 2010.

FOUCAULT, M. O Poder Psiquiátrico. Curso no Collège de France (1973-1974). Edição estabelecida por Jacques Lagrange sob a direção de François Ewald e Alessandro Fontana. Tradução Eduardo Brandão e revisão técnica Salma Tannus Muchail e Márcio Alves da Fonseca. São Paulo, Martins Fontes, 2012.

FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: nascimento da prisão; tradução de Raquel Ramalhete. 42. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.

GUELLER, A. S. de. Droga de celular ! Reflexões psicanalíticas sobre o uso de eletrônicos. In: Intoxicações eletrônicas: o sujeito na era das relações digitais/ org: Angela Baptista, Julieta Jerusalinsky. – Salvador: Ágalma, 2021.

HAN, B. C. Sociedade da transparência. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis, RJ : Vozes, 2017.

KELLOND, J.‘Present-day troubles’: Winnicott, counter-culture and critical theory today. Psychoanalises, Culture & Society. 24,323–343. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1057/s41282-019-00123-x. Acesso em novembro de 2024.

POWERS, W. O BlackBerry de Hamlet: uma filosofia prática para viver bem na era digital. Tradução Daniel Abrão. São Paulo: Alaúde Editorial, 2012.

SAFRA, G. A face estética do self: teoria e clínica. Aparecida – SP: Idéias & Letras: São Paulo: Unimarco Editora, 2021.

SANTI, P. de. A subjetividade no ambiente virtual: ambivalências, paranoia, realidade psíquica e quarentena. São Paulo: Zagodoni, 2020.

WINNICOTT, D. W. O ambiente e os processos de maturação : estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Tradução de Irineo Constantino Schuch Ortiz. Porto Alegre : Artmed, 2007.

WINNICOTT, D. W. O Brincar e a Realidade. Tradução: Breno Longhi. Revisão técnica de Leopoldo Fulgencio. Conselho técnico: Ana Lila Lejarraga, Christian Dunker, Gilberto Safra, Leopoldo Fulgencio, Tales Ab’Saber. São Paulo: Ubu Editora, 2019.

WINNICOTT, D. W. Tudo começa em casa. Tradução Paulo Cesar Sandler. Conselho técnico: Ana Lila Lejarraga, Christian Dunker, Gilberto Safra, Leopoldo Fulgêncio, Tales Ab’Saber. São Paulo: Ubu Editora, 2021.

ZUBOFF, S. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Tradução George Schlesinger. RJ: In-trínseca. 2020.

Downloads

Publicado

2026-02-28

Como Citar

ANDRADE ALMEIDA, Flávia. Criatividade em tempos de dispositivos neoliberais de vigilância digital — um estudo a partir de Foucault, Han e Winnicott. Griot : Revista de Filosofia, [S. l.], v. 26, n. 1, p. 212–229, 2026. DOI: 10.31977/grirfi.v26i1.5597. Disponível em: https://periodicos.ufrb.edu.br/index.php/griot/article/view/5597. Acesso em: 9 mar. 2026.

Edição

Seção

Artigos