De ninguém a outrem: dialética e mimese, judaísmo e humanismo a partir de Blanchot e Adorno
DOI:
https://doi.org/10.31977/grirfi.v21i3.2353Palavras-chave:
Dialética; Mimese; Judaísmo; Humanismo.Resumo
O presente artigo procura aproximar os pensamentos de Theodor Adorno e Maurice Blanchot em torno do problema do humanismo. O eixo da conversa entre os filósofos é o que podemos continuar chamando com Marx de “questão judaica”. Parte-se da intuição blanchotiana da indestrutibilidade do homem e do papel do judaísmo na revelação de uma relação exorbitante entre os homens em virtude da presença de Outrem, investigando-se em seguida o papel aparentemente contrário do judaísmo na dialética do esclarecimento de Adorno e Horkheimer. Neste percurso, dois pontos se destacam: a crítica à dialética hegeliana, mas também a reabilitação da dialética como antídoto contra a regressão do esclarecimento; e o potencial humanista retido no conceito de mimese, sobretudo na obra adorniana, o qual também possibilita a ressignificação do judaísmo no âmbito da dialética do esclarecimento.
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